Copenhagen Coffee Lab – Burundi

Processamento: Lavado
Nome: Buziraguhindwa
Região: Kayanza
Variedade: Red Bourbon
Altitude: 2000m
Preço: 13€/250gr.

Aroma: frutado
Acidez: delicada
Final: complexo
Classificação: 17/20

Vem de longe e do Norte, mas chega sempre recém-torrado e quem escolhe e torra este Café sabe o que faz.

Buziraguhindwa é uma das duas estações de lavagem de propriedade do produtor Salum Ramadhan, na região de Kayanza, zona setentrional do País. As fazendas no Burundi são pequenas, com algumas centenas de árvores em média cada uma. O Café com a denominação ‘Buziraguhindwa’ geralmente é cultivado nos arredores da estação de lavagem. Os fazendeiros são livres de entregar a sua colheita a quem oferecer o preço mais alto. Para atrair os agricultores que oferecem maior qualidade, pagam acima dos preços de mercado para melhorar o produto. O produtor investe, igualmente, em projectos sociais e ambientais, como educação e distribuição de água. Gosto muito desta vertente humanitária relacionada com o Café de Especialidade.

As estações de lavagem na zona de Buziraguhindwa têm rotinas rigorosas para a recepção da cereja. Os Cafés são classificados pelos agricultores nas estações de recepção, pelo processo de flutuação em pequenos tanques de água, seguindo-se a triagem. A grande altitude da estação de lavagem permite controlar melhor o tempo de fermentação e lavagem, que no no Burundi é um procedimento demorado com dupla fermentação (fermentação seca e húmida) antes da imersão. A dupla fermentação é um processo de trabalho denso que também requer muita água. O processo foi modificado para reduzir o uso de água e mão-de-obra, aumentar a capacidade, evitando ao mesmo tempo o excesso de fermentação, que dura cerca de 12 horas. Segue-se a pré-secagem à sombra, com a escolha manual do pergaminho molhado antes de entrar nas mesas de secagem elevadas e expostas ao sol. Secar leva normalmente 15 a 20 dias, dependendo do clima e da chuva.

O Café chegou ao Burundi pela mão dos Belgas no principio do Século XX. Por entre conflitos políticos, a partir de 1991 a produção de Café no País está na mão de privados. Em 2008, entrou em força no sector do Café de Especialidade, permitindo rastrear com precisão a origem do Grão, oferecendo possibilidades de compra directa. O potencial de qualidade continua a crescer.

É tudo isto que percebemos ao beber com requinte este Burundi da Copenhagen Coffee Lab, sempre em modo Filtro, onde sentimos os citrinos e algo de frutos vermelhos.
Um deleite!

Ainda uma palavra sobre a variedade Bourbon, derivada da original Typica, marcada pelo carácter subtil e adocicado, em tempos abandonada devido à baixa produtividade, mas que hoje voltou a ser cultivada, tornando-se rentável, graças ao aumento do preço na origem.