Fábrica Coffee Roasters
Local: Lisboa
Processamento: Natural
Produtor: Rocko Mountain Reserve
Região: Haricha Woreda, Yirgacheffe
Variedade: Heirloom
Altitude: 1950m – 2150m

Preço: 10€/250gr.

Aroma: profundo
Acidez: moderada
Final: longo
Classificação: 18/20

Eis um daqueles momentos em que se olha e se diz, vem comigo! Foi assim na Fábrica, quando olhei e vi Etiópia, e logo a seguir a altitude. Estava ali Café divino, com toda a certeza. Logo se deu por antecipação a perspectiva de grandes experiências sensoriais.

A Etiópia tem mais de 100 milhões de habitantes e a agricultura representa a grande maioria da força de trabalho do país. A maio parte está organizada em pequenas fazendas. Cada agricultor define o seu espaço em função das árvores que possui  e, não, pela área cultivada. Cada fazenda fornece toda a alimentação para a família e, por vezes, permite vender para fora complementando o rendimento. Ao contrário de outras áreas pelo mundo, o Café é nativo da Etiópia e faz parte da vida diária da população. É consumido na maioria dos lares, sendo muitas vezes servido com verdadeiro cerimonial. A Etiópia é o único país produtor de Café do mundo, cujo volume de consumo é igual à sua exportação.

Estamos, pois, na Montanha Rocko, região de Haricha Woreda, Yirgacheffe, onde as pequenas fazendas locais vendem as cerejas de café à estação de processamento da região. Secar a cereja, como é o caso deste café, é a grande tradição na Etiópia. Esse método, hoje praticado em todo o mundo, começou aqui, sendo muito comum ver os pequenos agricultores secar a sua colheita diária em suas varandas ou relvados por todo o país. Este Rocko Mountain, de que falamos hoje, é processado por métodos tradicionais e sem o uso de produtos químicos. Este Café é muitas vezes referido como “jardim do café”, pois é cultivado em parcelas muito pequenas, muitas vezes no quintal de pequenas habitações. Yirgacheffe é uma cidade localizada na zona de Gedeo, no sul da Etiópia. Mais do que qualquer outro país, a Etiópia tem uma ampla diversidade genética entre as suas variedades de Café, possuindo cada tipo um sabor distintivo, forma e cor. Como resultado, cada região do país pode oferecer um perfil de sabor diferente, formando o sistema de classificação para cafés etíopes, por exemplo Sidamo, Harrar, Limu, Djimmah, e por aí adiante. Em Yirgacheffe, os pequenos agricultores escolhem as cerejas que vendem para um comerciante local que supervisiona o processamento e a classificação que. depois. entrega ao distribuidor da região responsável ​​pela classificação dos grãos, de acordo com os padrões da SCAA. Os melhores lotes são comprados pelo exportador, com a denominação Rocko Mountain. E é isto que o Café Single Origin tem de altruísmo, esta agradável sensação de ser o elo final da cadeia que começou na montanha e termina chávena, e toda a felicidade que origina.

Feito o enquadramento do Café de hoje, a minha avaliação é, como sempre, baseada numa preparação em V60, utilizando a receita favorita cá de casa: 18gr de grão moído na granularidade certa para 250gr de água a 88ºC e uma extracção de 3min. Identifiquei o toque floral e algo de frutos vermelhos, tudo muito límpido, mas profundo. Um sorriso de prazer vai-se espreitando pela taça a cada sorvo e com o Café a esfriar os sabores, combinando-se e ganhando brilho por entre a acidez delicada, alongando o final. É uma viagem única!