Foi com este livrinho, básico mas instrutivo e muito bem escrito, que me iniciei no mundo maravilhoso do Café!

Fui lendo as primeiras páginas, avidamente, e logo comecei a entender que havia muito mais para descobrir do que imaginava. Neste momento todo o processo que envolve a cultura do Café, desde a cereja até à chávena, é considerado uma arte, e está ao nível de toda a mística e ritual que envolvem por exemplo o vinho ou a cerveja artesanal. Há uma grande abertura por parte de produtores, importadores, baristas, para divulgar e expandir conhecimentos.

Tal como no universo do vinho, em que existem as notas de prova, também o Café desenvolve características completamente diferentes consoante o terroir, método de produção, processamento e confecção, etc. Com experiência, e persistência, consegue-se perceber no Café toda uma complexidade de aromas e sabores. É através de um procedimento chamado em inglês Cupping,  que cada lote de Café é medido e avaliado. Falarei sobre isso em futuro texto. Assistir a uma sessão de avaliação destas é algo sumamente fascinante.

Em Portugal, desde sempre, prevaleceu o conceito de Lote em relação ao Café, em que grão de várias tipos e origens eram misturados para se obter determinado resultado. O mesmo acontece em relação ao vinho, há os monocasta e os Blend, mistura de várias castas. Tal como no vinho, a nossa preferência vai para o Syrah, vinho feito unicamente a partir dessa casta, daí o Blogue do Syrah. No Café também preferimos os Single Origin, Café feito de grão originário de uma única fazenda. Tanto no Café como no vinho, em modo blend, vai-se experimentando diversas proporções até se obter um resultado satisfatório. Em modo monocasta, ou Single Origin, isso não é possível, ou a produção é excelente ou não há bom resultado final.

Tudo isto vem a propósito de mais um virar de página no livrinho de hoje. De repente, eis que surgem estas duas rodas coloridas!

Fiquei atónito. Uma linguagem mundial comum entre as pessoas que falam em idioma Café!

Fui lendo atentamente todas as palavras, de fora para dentro e de dentro para fora, rodando as páginas. Tudo isto podia estar numa taça de Café?

Não recordava a bica que tomei toda a vida com tanta palavra lá dentro.

Ler um Café desta forma só é possível em grão recém-torrado, recém-moído, proveniente de uma região bem determinada, Single Origin.

A semente está lançada, a pista está aberta. A curiosidade resultante de olhar estas duas rodas vai abrir as portas de um mundo a descobrir. Façam como eu, imprimam a cores, colem uma contra a outra, plastifiquem e tragam sempre na pasta, mochila ou carteira, ou onde calhar, para estar sempre à mão. A melhor maneira de ir ganhando proficiência no assunto é tentar identificar o que o Barista que fez o cupping de determinado Café em grão escreveu na embalagem!