Nos últimos meses, é frequente perguntarem-me o porquê quase súbito de tal mudança de gosto e atitude.

Tudo começou em 2006, brevemente, durante uma visita à Dinamarca, onde, por um preço elevado, se podia beber um espresso que na altura me pareceu muito diferente daquilo que estava habituado, sobretudo pela acidez delicada e ausência de sabor amargo. Mas o ser tão caro foi a única coisa que ficou na memória, à falta de mais informação.

Em 2017, mais ou menos dez anos depois, portanto, decidi experimentar em casa o café de filtro. Filtros de papel encontrei facilmente, o cone foi mais difícil. Pesquisando na Internet, quase por acaso, e aqui vem a grande surpresa, que seguramente não aconteceu por acaso, havia um local em Lisboa onde vendiam todo o equipamento, chamado Copenhagen Coffee Lab! Foi uma surpresa, então o café dinamarquês que ainda recordava tinha chegado a Portugal? Fui lá assim que pude, ainda sem saber que a viagem estava a começar, ou a recomeçar. E foi o primeiro contacto com a linha de produtos Hario, em que por recomendação de quem me atendeu, comprei o Dripper (pingador) de vidro e a cafeteira também em vidro. Foi a minha introdução a mundo do café subtil e transcendente que dá pelo nome de V60! Comecei por utilizar o café já moído que tinha em casa, sem qualquer surpresa.

Já não recordo a razão pela qual um texto no Público de Miguel Esteves Cardoso me apareceu pela frente. A partir daí comecei a entender melhor os conceitos de Café Single Origin e pouco depois Specialty Coffee. Mais um vez percorrendo a Internet por aqui e por ali, cheguei à Academia do Café, mesmo perto de casa. Mais uma visita para a história. Recebido por Afonso Gomes, barista e formador, foi aí que em breve encontro, se me abriram as portas para o que estava eminente. Provei um espresso que não esquecerei, vi Café torrado que em vez de ser negro, como estava habituado a ver, era castanho, comprei uma cafeteira Hario, já podia tentar um V60 em casa. Como de momento não tinham café recém torrado, foi-me indicado outro dos locais que se viria a tornar de culto para mim, a Fábrica Coffee Roasters, perto dos Restauradores, em Lisboa. Foi aí que comprei o meu primeiro Café recém torrado, na medida certa. Usando um antigo moinho eléctrico que já tinha em casa, dei início a este percurso cujas origens ficaram aqui narradas.

O meu primeiro V60 em casa a partir do café da Guatemala torrado com mão de mestre foi o princípio de um processo de aprendizagem que ainda continua e cujos progressos vão ser contados neste Blog!